30 de dez de 2014

Nem Musa nem Medusa: a Mulher no Teatro de Gil Vicente.



Antes de tudo, faz-se necessário tecer algumas considerações acerca de Gil Vicente, pois de tal forma é dada ênfase ao conteúdo crítico-moralizante do seu teatro que, decerto, o seu nome está sempre associado à denúncia das mazelas sociais, da inautenticidade religiosa, enfim dos erros, vícios e pecados dos homens. Todavia, nem tudo quanto escreveu o autor significa preocupação com a moralização do clero e do povo em geral. Há também em sua obra uma nítida preocupação do autor com a condição social adversa dos camponeses (os explorados por nobres e clérigos), dos judeus (marginalizados e perseguidos) e, principalmente das mulheres (subjugadas ao despotismo dos pais e dos maridos).
Para apreendermos a atitude de adesão de Gil Vicente à causa feminina, faz-se necessário que compreendamos a situação da mulher portuguesa no período que se estende da Idade Média até os meados do século XVI, ou seja o período em que Gil Vicente viveu e escreveu a sua obra. Para isto, são valiosas as considerações em torno dessa questão feitas por Joaquim Leitão. Como escreve esse autor, a situação da mulher portuguesa na sociedade do século XVI era a de encarcerada. Solteira, só tinha permissão para ir à Igreja, trajada com um manto que lhe cobria os olhos, para que ninguém pudesse vê-la; a casada era escrava do lar, vivendo para os filhos, o marido e as árduas tarefas domésticas. A mulher casada só poderia sair de casa acompanhada por várias damas de companhia e escudeiros. Andar na rua desacompanhada, sem o consentimento do marido, era arriscar-se a ser difamada. As viúvas, consideradas mulheres mortas para o mundo, retiravam-se para os mosteiros ou recolhiam-se em casa. As noivas que perdiam os noivos às vésperas da realização do casamento, bem como as casadas que tinham seus maridos em outras terras, empenhados nos trabalhos dos descobrimentos e conquistas, como viúvas deveriam comportar-se. A mulher não podia jogar cartas nem tomar vinho, da mesma forma que não escolhia noivo para casar-se, ficando à mercê da vontade dos pais, mais das vezes sendo forçadas a aceitar casamentos com pessoas que lhes desagradavam.[1]

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3 de nov de 2014

EROS LIBERTO: a poesia de Glória Tupper...



Da minha estréia na blogosfera até chegar à descoberta de que nem tudo nela é uma viagem errante através de uma nebulosa, na qual nada realmente gratificante e proveitoso há para oferecer, levou um alargado e desperdiçado tempo que, graças à passagem do tempo já não passa de poeira de vagas lembranças destinadas à terra do olvido absoluto. Na medida em que, em minhas deambulações, fui descobrindo o lado luminoso e fascinante que existe no mundo virtual, retomei o entusiasmo por este universo paralelo que se abre em possibilidades múltiplas de realizações e de contatos sociais muito gratificantes. Todavia, o que não esperava encontrar era o elo quase perdido com a literatura feminina. E ele ali estava, diante de mim, na melhor e mais prazerosa surpresa que me foi a descoberta de mulheres escritoras, talentosas e inteligentes, autoras de poesias, narrativas de ficção e crônicas de grande interesse e qualidade estético-literários. Apaixonada pela literatura, especialmente a que é produzida pelas mulheres, senti-me feliz por ter encontrado o porto seguro que buscava na leitura dos textos de Glória Tupper, de Mariza Lourenço e de Layla Lauar, três talentosas escritoras brasileiras, mulheres de personalidades fortes, modernas e antenadas com formas de poetar em voga nos horizontes da melhor expressão literária.
Na abertura desse blog, dedicado à Mulher, prestei a minha homenagem especial a Glória, administradora de dois blogs: Avesso de Mulher, no qual ela expõe seus trabalhos literários, e o blog de variedades MariquinhaMaricota, onde exerci uma breve colaboração, feita com muito gosto e alegria. Todavia, antes de entrar na apresentação e comentários dos textos poéticos de Glória, necessário se faz algumas ponderações sobre a poesia erótica, gênero dominante do discurso da poeta, como é no de tantas mulheres que ousaram e ousam, desenvoltas e cheias de dignidade, libertarem-se dos espartilhos da auto-censura, do receio de exteriorizarem suas emoções, seus sentimentos e os seus multifacetados desejos vividos e/ou imaginados.
A poesia de Glória Trupper inscreve-se na vertente erótica do lirismo contemporâneo, desenvolvendo a temática do corpo liberto dos tentáculos da repressão. Ela segue pelos caminhos libertários dos que fazem uma literatura transgressiva em relação aos tabus culturais e religiosos que interditaram durante séculos, principalmente à mulher, a expressão da sua sensualidade. Com efeito, Glória busca exatamente realizar uma literatura que se erga como um libelo em favor da liberdade de expressão. Se tivesse tentado publicar tais poesias até a década de cinqüenta do século XX, decerto teria sido esmagada pela crítica defensora da moral (falsa moral) e dos bons costumes, como foram tantas escritoras até meados do século passado.
Vale lembrar que, apesar da revolução modernista, somente após a segunda guerra mundial as mulheres começaram a invadir o círculo fechado da literatura. No início, ainda timidamente, depois com ímpeto e atitude, figuras femininas notáveis estreavam nas letras, não apenas em quantidade surpreendente como em qualidade excepcional. Nas obras destas poetas, além da evidente identificação com as “novidades” estéticas e temáticas trazidas ou ressuscitadas pelos modernistas, avulta a retomada do discurso erótico inaugurado no lirismo feminino português por Florbela Espanca e Judith Teixeira e, no Brasil, por Gilka Machado. Tal retomada foi, talvez, uma tomada de consciência por parte das mulheres do quanto ainda havia de repressão no que toca a expressão da sexualidade feminina, seja na vivência íntima de cada uma, seja do próprio discurso literário, amordaçado para qualquer manifestação erótica por parte dos ideólogos e defensores da moral e dos bons costumes.
Nas derradeiras décadas do século XX, as poetas já não se adequavam ao desgastado figurino da poesia confessional, da expressão sentimental, mais das vezes voltado para a retórica da infelicidade, da dor e das lágrimas que vinha ameaçando perpetuar-se no lirismo feminino. A poesia da geração de mulheres surgida após a revolução modernista, especialmente em Portugal, nutrira-se na seiva de uma consciência mais aguçada acerca da realidade do amor, da verdade do corpo, do direito de ser mulher e, principalmente, da urgência de um grito de independência, de busca da plena liberdade de expressão. O lirismo feminino assumiu uma dimensão vivencial, revelou-se na plenitude de sua humanidade e temporalidade. Esta poesia quase não fala de dor, fala de amor, de desejo, de luxúria, de prazer e de felicidade. Nela a expressão do amor sensual é uma “festa do corpo”, como bem testemunha a poesia de Glória Tupper:

Rodovia

Meus espaços te anseiam
Todo meu corpo arde
Em tremores de desejo
Em lembranças de prazeres vividos.
Conheces meus caminhos
Que se abrem em via de mão única
E por onde percorres com perícia
Por onde passeias tuas audácias
E onde não há sinal fechado.
Mas se houver, ah, por favor!
Ultrapasse!

A partir da década de 70, a liberdade da linguagem acentuou-se. As escritoras tomaram as rédeas do seu discurso, libertam a linguagem feminina de todas as interdições e tabus milenares, deram expressão poética ao erotismo, enriquecem o repertório temático da poesia com temas transbordantes de sentimento estético da sensualidade, do desejo, da fruição dos prazeres do corpo. A nova linguagem obedecia a uma nova gramática, exigia que se lesse a poesia com o espírito despojado de malícia, da noção cerceadora do pecado e livre do peso da culpa.

Cadência

Gosto quando se enrosca
Entre minhas pernas
E me faz arrepiar.
Gosto quando suprime meus sentidos

Num gozo alucinante
Onde tudo é pulsar.
Gosto de suas palavras doces
Tanto quanto amo as mais sórdidas.

Com você sou namorada
Me transformo em amante
Viro mulher da vida.
E voto a ser menina.

Porque seu corpo é uma máquina perfeita
Que pulsa na cadência
Exata, precisa
Do meu infinito desejo.

Talvez pela primeira vez na poesia feminina a mulher tenha ousado expressar o seu encantamento com o corpo do homem, com a beleza das formas masculinas. Já não é mais o homem o único a falar do seu desejo, da sedução do corpo da mulher amada, do mágico delírio que o seu toque desata. Glória ousadamente resgata a sexualidade feminina, a sua participação ativa na relação amorosa (Quero teu cheiro de macho / invadindo meu quarto) o seu direito ao prazer e à realização das suas fantasias eróticas (Suga minha boca / Orfã de você / Passeia pelo meu corpo/ Como se não conhecesse o caminho a percorre / Segura minha cintura / E se encaixa em mim / Fundindo seu corpo ao meu / num frenesi alucinado e sem fim/ me explora, me usa) tudo em sua poesia é um canto de exaltação à harmonia do corpo com o amor que impulsiona o desejo, ela promove somente a libertação do discurso poético feminino das amarras que bloqueavam ou interditavam a verbalização da sua sexualidade, a menção de sua intimidade, ela também libera o corpo, as partes do corpo e seus segredos.

Melodia
Quero teu cheiro de macho
Invadindo meu quarto
Impregnando meus lençóis
Penetrando em minha pele.
Quero tua indecência
Tua falta de inocência,
Teu despudor escancarado
Quando me tomas como mulher.
Quero não saber onde começo
Onde não produzir um aprendiz
Só quero que seja contínuo
E inesgotável.
Somos dois instrumento
Produzindo os mesmos sons
Sou ritmo
Es cadência
Nós melodia de amor


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10 de ago de 2014

O Gótico na poesia



A poesia gótica deve ser entendida como moderna; aquela que tem a preocupação com o uso criativo e experimental da linguagem, tendo o objetivo de promover a singularização e um efeito inovador; é um tipo de contracultura. No gótico há o predomínio da imaginação somada a uma reflexão que causa surpresa, fantasia.
O labirinto é uma imagem trazida pelo gótico, representando a idéia de um lugar sem saída, mas com várias alternativas e sem ter noção do que irá ser encontrado pelo caminho; está ligado à busca, jornada. O labirinto não é um elemento externo, mas sim um reflexo do próprio interior.
A interpretação das poesias de cunho gótico passa pela teorização do Sublime (termo que possui as suas raízes na Antiguidade, do latim sublimis). Edmund Burke em “Investigação Filosófica sobre as nossas idéias de Sublime e Beleza” conceitua esta teoria. O Belo (perpetuação) seria algo ordenado, harmônico, prazeroso e encantador com limitações e formas que exigem um esforço para sua compreensão, enquanto o Sublime (preservação) seria selvagem, inexplicável, assimétrico, impactante e também prazeroso, mas de forma negativa, sem limitações que envolvem um esforço racional. O prazer do belo está ligado ao avanço de vida, compatível com a imaginação e o do sublime surge desafiando as forças vitais.

O gótico em Baudelaire e Augusto dos Anjos

O poeta Charles Baudelaire era um leitor de Edgar Allan Poe (escritor, poeta, crítico literário americano e um dos percursores da literatura de ficção científica, fantástica, moderna e gótica) e também tradutor de seus textos. Em sua obra, questiona o excesso de moral e sentimentalismo e se opõe à vida burguesa e às convenções da época. Em 1857 publica "Les Fleurs du Mal" (As Flores do Mal), que incorpora o grotesco (termo surgido no século XVI quando foram descobertas pinturas ornamentais em regiões da Itália; derivado do italiano La Grottesca ou Grottesco, advindos de grotta - gruta) à linguagem do romantismo.
O brasileiro Augusto dos Anjos ficou conhecido como “poeta negro” devido ao choque que seus versos causavam. Ele se utilizou de um vocabulário científico-poético, sendo inspirado pelo cientificismo, evolucionismo permeado pelo simbolismo, gerando uma poesia com tons macabros e obsessivos que mostram a destruição e decomposição física e psicológica. Em 1912 publicou o seu livro "Eu", mas que não teve a repercussão esperada. Apenas na 3ª edição, sob o título de "Eu e outras poesias" que o poeta conseguiu ser bem aceito pelo o público.
Tanto Baudelaire quanto Augusto dos Anjos utilizam em seus versos elementos góticos, fúnebres e repulsivos. São poesias carregadas que trazem o gosto pelo difícil e pela evasão capazes de unir elementos, até então, distantes do nosso pensamento.
O poema "Uma Carniça" (Une Charogne) de Baudelaire apresenta a união do grotesco com o sublime:

Recorda-te do objeto que vimos, ó Graça,
Por belo estio matinal,
Na curva do caminho uma infame carcaça
Num leito que era um carrascal!

Suas pernas para o ar, tal mulher luxuriosa,
Suando venenos e clarões,
Abriam de feição cínica e preguiçosa
O ventre todo exalações.

Resplandecia o sol sobre esta coisa impura
Por ver se a cozia bem
E Ao estava retornando cem grande à natura
O que ela em si sempre contém;

E o céu olhava do alto a carniça que assombra
Como uma flor desabrochar.
A fedentina era tão forte e sobre a alfombra
Creste que fosses desmaiar.

Moscas vinham zumbir sobre este ventre pútrido
Donde saíam batalhões
Negros de larvas a escorrer – espesso líquido
Ao largo dos vivos rasgões.

E tudo isto descia e subia, qual vaga,
Ou se atirava, cintilando;
E dir-se-ia que o corpo, inflado de aura vaga,
Vivia se multiplicando.

E este universo dava a mais estranha música,
Água a correr, brisa ligeira,
Ou grão que o joeirador com movimento rítmico
Vai agitando em sua joeira.

Apagava-se a forma e era coisa sonhada,
Um esboço lento a chegar,
E na esquecido ou tela de artista completo
Somente por se recordar.

Uma cadela atrás do rochedo tão preto
Nos olhava de olhar irado
Para logo depois apanhar do esqueleto
O naco que havia deixado.
- E entanto deverás não igual a este constrangimento,
Igual a esta hórrida infecção,
Tu, sol de meu olhar e minha natureza,
Tu, meu anjo e minha paixão.

Isso mesmo serás, rainha das graciosas,
Aos últimos sacramentos
Quando fores sob a erva e as florações carnosas
Zombar só entre os ossamentos.
Minha beleza, então dirás à bicharia,
Que há de roer-te o coração,
Que eu a forma guardei e a essência de harmonia
Do amor em decomposição.

No poema acima o poeta assume a postura do voyeur. O tema da morte é abordado de maneira mórbida, contemplado de imagens grotescas. Há a presença de dois extremos: a feiura do corpo em decomposição e a beleza da mulher, que acabou sendo comparada à carniça no sentido que esta beleza um dia será como a carniça. Esta aproximação não é de comum utilização na poesia lírica e tal fato resulta num estranhamento altamente perturbador que nos remete a conclusão que a finitude da vida seria bela. Há ainda uma mistura de sensações que compara a carniça com a mulher luxuriosa, como se o autor fosse seduzido pela visão macabra. O contraste do Belo e do Sublime se perpetua ao longo do poema. Nas três últimas estrofes se concentra a afirmação de que a beleza humana e feminina é finita e será absorvida pela Natureza. A carniça seria o destino final de qualquer ser e dele ninguém poderia fugir.

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24 de abr de 2014

O Simbolismo Brasileiro na Poesia de Cruz e Souza




Cruz e Souza nasceu em 1861, na antiga Desterro (SC), Filho de pais escravos, foi adotado por senhores brancos e criado como filho. Recebeu educação esmerada e aos vinte anos já dirigia um jornal. Publicou Tropos e Fantasias em colaboração com Virgílio Várzea. Em função da hostilidade dos brancos, deixou sua terra. Percorreu o Brasil e foi recebido em vários lugares como um grande poeta. Casou-se com Gavita, negra, com quem teve quatro filhos. Após a morte do pai, da mãe e de dois filhos, lutou ainda com a loucura da mulher e com a miséria. Acometido de uma tuberculose violenta, faleceu em Minas Gerais sendo transportado para o Rio de Janeiro em um vagão de cavalos. Foi enterrado dignamente por iniciativa e à custa de José do Patrocínio.
O Simbolismo foi instaurado no Brasil em 1893, com a publicação das obras Missal (prosa) e Broquéis (poesia), ambas de autoria de Cruz e Sousa, considerado o maior autor simbolista da literatura brasileira. 
A poesia de Cruz e Sousa costuma apresentar as seguintes características: No plano temático, sobressaem a tematização da morte, da transcendência espiritual, da integração cósmica, do mistério, o sagrado, do conflito entre matéria e espírito, da angústia e da sublimação sexual, da escravidão e de uma verdadeira obsessão por brilhos e pela cor branca. No plano formal. aparecem as sinestesias, as imagens surpreendentes, a sonoridade das palavras, a predominância de substantivos e o emprego de maiúsculas, utilizadas com a finalidade de dar um valor absoluto a certos termos

Antífona:

Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
De luares, de neves, de neblinas!...
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras... 
Formas do Amor, constelarmente puras,
De Virgens e de Santas vaporosas...
Brilhos errantes, mádidas frescuras
E dolências de lírios e de rosas... 
Indefiníveis músicas supremas,
Harmonias da Cor e do Perfume...
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
Réquiem do sol que a Dor da Luz resume... 

Visões, salmos e cânticos serenos,
Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...
Dormência de volúpicos venenos
Sutis e suaves, mórbidos, radiantes... 
Infinitos espíritos dispersos, 
Inefáveis, edênicos, aéreos,
Fecundai o Mistério destes versos,
Com a chama ideal de todos os mistérios. 

Do Sonho as mais azuis diafaneidades
Que fuljam, que na Estrofe se levantem
E as emoções, todas as castidades
Da alma do Verso, pelos versos cantem 
Que o pólen de ouro dos mais finos astros
Fecunde e inflame a rima clara e ardente...
Que brilhe a correção dos alabastros
Sonoramente, luminosamente. 

Forças originais, essência, graça
De carnes de mulher, delicadezas...
Todo esse eflúvio que por ondas passa
Do Éter nas róseas e áureas correntezas...
Cristais diluídos de clarões álacres,
Desejos, vibrações, ânsias, alentos
Fulvas vitórias, triunfamentos acres,
Os mais estranhos estremecimento... 
Flores negras do tédio e flores vagas
De amores vãos, tantálicos, doentios...
Fundas vermelhidões de velhas chagas
Em sangue, abertas, escorrendo em rios... 

“Antífona” foi composto para figurar como introdução ao livro Broquéis, Por suas qualidades estéticas e por condensar em seus versos muitas características fundamentais do Simbolismo, o poema passou a ser considerado como uma perfeita expressão da poesia simbolista, especialmente pelo talento e domínio do poeta para o uso de sinestesias, que se esvaem no indefinido e no abstrato.


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